Síndrome de Burnout ou Estafa: será você o próximo?

O que é estafa?

Herbert Freudenberger e outros pesquisadores passaram a usar este termo (burnout em inglês) em meados dos anos 70, e ele veio a significar “um estado de exaustão resultante de envolvimento com pessoas em situações de muita cobrança emocional”.

Também “exaustão física ou emocional, especialmente em resultado de estresse ou desregramento prolongados”. (American Heritage Dictionary)

Existem, porém, nuanças de sentido na definição desse termo, dependendo do pesquisador.

Embora a estafa não tenha uma definição médica precisa, as vítimas são identificadas por sintomas tais como fadiga, falta de entusiasmo, desamparo, desesperança e indisposição.

A vítima se sente extremamente cansada e se irrita por qualquer coisa.

Nada a incita à ação.

Tudo lhe parece esmagador, e talvez procure desesperadamente ajuda de quem quer que cruze o seu caminho.

Todos os esforços no trabalho e em casa podem parecer inúteis.

Prevalece um senso de desesperança.

Se você tem esses sintomas, junto com indisposição, falta de prazer em tudo, é bem possível que esteja com estafa.

A estafa pode afetar o trabalho e a vida familiar.

Você deseja evitá-la. Mas como?

Para descobrir isso, vejamos primeiro quem tem propensão à estafa, e por quê.


Sintomas de estafa

Estafa refere-se a uma debilitante condição psicológica causada por ininterrupto estresse no trabalho, que resulta em:

1. Esvaziamento das reservas de energia

2. Reduzida resistência a doenças

3. Aumentado descontentamento e pessimismo

4. Aumentado absenteísmo e ineficiência no trabalho.

“Esta condição é debilitante porque tem o poder de enfraquecer, até mesmo devastar, indivíduos de outra forma sadios, dinâmicos e competentes.

A sua causa primária é o estresse ininterrupto, o tipo que continua dia após dia, mês após mês, ano após ano.” — The Work/Stress Connection: How to Cope With Job Burnout, de Robert L. Veninga e James P. Spradley.


O que é a Síndrome de Burnout?

Síndrome de Burnout é um desgaste que prejudica os aspectos físicos e emocionais da pessoa, levando a um esgotamento profissional.

O distúrbio foi mencionado na literatura médica pela primeira vez em 1974, pelo psicólogo norte-americano Freudenberger que descreveu os sintomas que ele e seus colegas estavam enfrentando.

Após essa menção, vários estudos foram realizados sobre o assunto.

Hoje em dia, o transtorno é facilmente encontrado na CID-10 (Classificação Estatística e Internacional de Doença e Problemas Relacionados à Saúde), mais precisamente no grupo 5. Ele atinge pessoas cuja vida profissional e pessoal são muito atribuladas. Em especial as que levam jornadas duplas.

Segundo pesquisas realizadas pela Isma-BR (International Stress Management Association no Brasil), essa síndrome acomete cerca de 33 milhões de brasileiros.


Quais as profissões mais afetadas pela Síndrome de Burnout?

É muito comum que os workaholics (pessoas viciadas em trabalho) sofram desse distúrbio. Porém, alguns profissionais são mais pré-dispostos a experimentarem a questão, justamente pelas características do trabalho.

Confira abaixo as profissões mais acometidas pelo burnout:

  • profissionais da saúde em geral, principalmente médicos e enfermeiros;

  • jornalistas;

  • advogados;

  • professores;

  • psicólogos;

  • policiais;

  • bombeiros;

  • carcereiros;

  • oficiais de Justiça;

  • assistentes sociais;

  • atendentes de telemarketing;

  • bancários;

  • executivos.

Esses profissionais acabam se esforçando muito com o trabalho e, várias vezes, se esquecem dos momentos de descontração e relaxamento. É como se a mente dessas pessoas estivesse alerta o tempo todo, fazendo com que se sintam exaustas.

Muitas vezes, o Burnout também está ligado ao fato das pessoas trabalharem em empregos que exigem bastante delas, isso faz com que se tornem exageradamente perfeccionistas.

A cobrança exacerbada de si mesmo, e pelos superiores, acaba impactando de forma negativa na vida pessoal e profissional.

No caso das mulheres, vale a pena ressaltar que a maioria delas acaba sendo afetada em decorrência de uma jornada dupla de trabalho: no emprego, propriamente dito, e nas demais tarefas de casa – as responsabilidades de mãe, esposa, estudante etc.

Estudos apontam que cerca de 30% dos médicos no Estados Unidos foi acometida pelo distúrbio de Burnout. É quase um terço desses profissionais!


O que causa a Síndrome de Burnout?

A origem da palavra Burnout é norte-americana e significa “chamuscado”; mas você poderia perguntar: “e o que causa o Distúrbio de Burnout nas pessoas?”

A resposta é que o distúrbio se manifesta quando a relação com o trabalho acaba se transformando em estresse, ansiedade e nervosismo intensos. A pessoa acaba sendo levada ao seu limite, físico e/ou emocional, sentindo-se extremamente cansada, desmotivada e esgotada.

Não é difícil encontrar pessoas que, junto com o Distúrbio de Burnout, sofram também de depressão, do uso excessivo de medicamentos e insônia. Porém, tudo isso pode ser contornado ou amenizado com tratamento.

É importante ressaltar que a doença não está somente relacionada com o ambiente de trabalho, muitas vezes as tarefas da faculdade ou até mesmo de casa podem ocasionar o problema.

O fato é que o Burnout está relacionado com o excessivo esforço físico, mental ou emocional, seguido de poucos momentos de descanso ou descontração. Tudo que ocupa muito o seu tempo e acaba sugando a sua energia pode ser motivo para que o Burnout apareça.

Além disso, outro estudo mostrou que as pessoas que são muito empáticas são mais suscetíveis ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout. Isso porque elas absorvem toda a carga emocional de terceiros para si, o que é uma prática ruim. A dor do outro acaba fazendo com que elas se preocupem excessivamente e sobrecarreguem o seu emocional.

Segundo a psiquiatra Licia Oliveira, professora da Medcel – Cursos Preparatórios Para Residência Médica, “a doença ocorre em um conjunto de personalidade (genética) e condições ambientais (fatores externos). Obviamente, uma pessoa com personalidade mais rígida, que não tolera frustrações, está mais propensa a desenvolver o Burnout”.

Outros fatores acabam influenciando no desenvolvimento da Síndrome de Burnout, como os problemas com o chefe, com familiares, no relacionamento etc. Tudo isso cria um desequilíbrio interno, impactando de negativamente na forma com que suas energias são utilizadas.

Muitas pessoas que estudam para concursos públicos ou grandes vestibulares, acabam se cobrando muito e passam horas por dia estudando, podendo chegar a mais de 14 horas dentro do quarto fechado sem que haja tempo de descanso ou repouso apropriado; isso também pode fazer com que a Síndrome de Burnout se manifeste.

Segundo dados do ISMA Brasil (International Stress Management Association), 70% dos brasileiros acabam tendo problemas com estresse, dos quais 30% podem desenvolver o Burnout.

Ao realizar uma pesquisa em nove países, a ISMA-Brasil concluiu que o Brasil ocupa o segundo lugar em nível de estresse, perdendo apenas para o Japão.


Quais os sintomas do Burnout?

Os sintomas mais comuns da Síndrome de Burnout são:

  • distúrbios do sono;

  • dores musculares e de cabeça;

  • irritabilidade;

  • alterações de humor;

  • falhas de memória;

  • dificuldade de concentração;

  • falta de apetite;

  • agressividade;

  • isolamento – nos estágios iniciais parece que o indivíduo evita o contato com as demais pessoas; porém em estágios mais avançados pode-se desenvolver irritabilidade no contato com outras pessoas;

  • depressão;

  • pessimismo e baixa autoestima;

  • sentimento de apatia e desesperança – este é um dos sintomas que mais leva aos diagnósticos errados da doença;

  • irritabilidade exagerada – a irritabilidade acaba surgindo devido ao sentimento de pessimismo e baixa autoestima, achando que aquilo que se faz não é bom o suficiente.

  • perda de prazer – inicia-se como algo simples, mas gradativamente torna-se evidente – como a perda de prazer por comidas ou atividades que antes gostava de praticar, momentos com a família, etc.

  • maior suscetibilidade à doenças – como a síndrome de burnout mexe com o físico e também com o psicológico, acaba baixando a imunidade da pessoa, tornando-a mais suscetível ao aparecimento de doenças oportunistas.

Vale a pena ressaltar que, em determinados casos, o distúrbio pode ocasionar problemas físicos como hipertensão, dores musculares e de cabeça, fadigas excessivas e problemas estomacais como gastrite.


Como identificar?

A Síndrome de Burnout acaba sendo confundida, muitas vezes, com outros problemas emocionais, isso porque os seus sintomas também estão presentes em outras patologias mentais.

Por isso é necessário prestar atenção em muitos detalhes, sendo que o diagnóstico só deve ser feito por um profissional. Saber identificar uma pessoa que tenha a síndrome é importante tanto para ajudá-la e para tornar o convívio o melhor possível.

Se você notou que tem alguns dos sintomas listados, o melhor a fazer é procurar uma consulta com o Psicólogo, que lhe ajudará a identificar se você tem ou não tal condição.


Como prevenir a Síndrome Burnout?

Existem meios de prevenir e de tratar o Burnout. A prevenção se dá por meio de práticas simples e até mesmo prazerosas, que acabam não exigindo tanto.


Prática de exercícios físicos

Parte dessa condição acaba causando problemas físicos, isso sem mencionar as tensões musculares que muitas vezes impedem até mesmo a locomoção.

Os exercícios físicos não só ajudam a liberar toda a tensão dos músculos, como também criar uma rotina saudável. Além disso, pode-se encarar a atividade como um momento de relaxamento e de autocuidado.


Alimentação adequada

A alimentação correta e balanceada permitirá a ingestão de nutrientes e vitaminas adequados para o seu dia a dia. Eles ajudarão a repor as energias e, assim, você acabará se sentindo mais preparado para sua rotina.


Momentos de Lazer

Ter momentos de lazer e relaxamento são fundamentais para descansar a mente e o corpo. Esses instantes são muito importantes tanto para a prevenção quanto para o tratamento da síndrome.


Menos cobranças

Um dos motivos que levam à Síndrome de Burnout é a existência de uma cobrança extremamente excessiva de si mesmo. Uma busca pela perfeição que simplesmente não existe.

Procure não se cobrar tanto e entender que as pessoas podem sim cometer erros, INCLUSIVE VOCÊ, e isso é normal. Está tudo bem. Errar é algo totalmente humano e aceitável. Aprenda com os erros, mas não se torne uma vítima deles. Supere, e siga em frente!


Reorganização

Talvez uma atitude simples de reorganizar os seus dias e as suas tarefas no trabalho possam ajudar no momento de pegar mais leve com o emprego e então manter a calma, evitando assim que você venha a se sobrecarregar.


Utilize os seus dias de férias e folgas

Férias existem por uma razão: todo mundo precisa descansar. Pare de adiar as suas! Organize-se e aproveite os dias de descanso como melhor convier. Viaje, leia os livros que sempre quis, assista muitos filmes. Se preferir, não faça nada.

O importante é se desligar do trabalho para conseguir relaxar a mente e o corpo. Acredite: o mundo não vai acabar se você descansar um pouco.


Cultive relacionamentos saudáveis no trabalho

Cordialidade, gentileza, cooperação: nada disso envolve um contato mais íntimo como uma amizade e pode facilmente ser aplicado a qualquer ambiente. Como a convivência precisa ocorrer, não custa nada fazer disso algo mais leve, não é mesmo? Com certeza os dias serão melhores e menos estressantes para todos!


Meditação ou Yoga

Ambos ajudam a controlar seu nível de estresse, bem como reaprender a respirar. Isso significa ter o controle dos seus estados emocionais de volta e não aderir às exigências externas e internas de imediatismo.


Como diferenciar Burnout, Depressão e Estresse?

A Síndrome de Burnout é bem parecida com a depressão, já que ambas apresentam sintomas similares.

O estresse é ocasionado como uma resposta física e psicológica a tudo o que a pessoa sente, tal como cobranças e pressão excessiva. Ele ocorre quando uma pessoa está sobrecarregada, mas isso não significa que ela apresentará o Distúrbio de Burnout.

Pense em um atleta antes da competição, ele está sob estresse. Isto é, seu corpo, mente e emoções estão focados em produzir os melhores resultados; mas após a competição ele tenderá a descontrair, relaxar e voltar a seu ritmo normal.

Já no Burnout você acaba se sentindo estressado e sobrecarregado por muito tempo, mesmo quando não seria necessário estar tão ligado e ativo. Estes fatores tendem a ocorrer por causa do trabalho, gerando sentimentos de culpa e cansaço.

Nesse sentido, ele se diferencia da depressão já que a infelicidade e sentimentos de culpa são relacionados à vida como um todo e não apenas a uma pequena parte dela como o trabalho.


Como lidar com pessoas que sofrem com a Síndrome de Burnout?

Um dos primeiros passos é evitar falar sobre assuntos de trabalho quando não for necessário. Como a pessoa já está sobrecarregada com isso, deve-se evitar perguntas sobre o emprego, tarefas ou coisas desse tipo.

Além disso, procure conversar sobre assuntos leves e descontraídos, isso ajuda o indivíduo a manter o foco distante de todos os assuntos e chateações que fazem com que ele se sinta frustrado ou estressado.

Você também pode optar por passeios, uma ida ao shopping, um momento no parque, um filme de comédia. Em muitos casos, um animal de estimação pode ser uma opção bastante interessante, já que ajuda a pessoa a se distrair.

Mas lembre-se: animais não são brinquedos. Só devem ser adquiridos, de preferência por adoção, se realmente houver possibilidade de cuidado.


Como tratar a Síndrome de Burnout?

Cuidados profissionais nesse momento são bem-vindos. Um acompanhamento adequado para identificar em que nível sua síndrome se encontra é fundamental para, então, escolher formas que auxiliem no combate ao problema.

Normalmente, o psicólogo indicará atividades que ajudem a distr